Conceitos
Inflação e poder de compra
Inflação é a alta persistente e generalizada de preços. Não é a alta de um produto isolado na semana da safra. Quando ela ocorre, a mesma quantidade de reais compra uma cesta menor. Esse efeito tem nome: perda de poder de compra.
O que a palavra descreve
Preços sobem e descem por motivos diferentes: clima, câmbio, demanda, imposto, custo de produção. A inflação medida por um índice olha uma cesta, não o seu carrinho específico. Por isso a sua sensação no mercado pode ser mais alta ou mais baixa do que o índice do mês. As duas leituras podem estar corretas ao mesmo tempo: o índice descreve a cesta média da pesquisa; o carrinho descreve a sua casa.
O que o IPCA mede
O IPCA, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, é produzido pelo IBGE. Ele é a referência mais usada quando se fala em inflação ao consumidor no Brasil, inclusive em contratos e na meta acompanhada pelo Banco Central. A composição da cesta e o resultado do mês estão na página do IBGE. Copiar um percentual antigo para esta página criaria uma informação errada com aparência de atual.
Outros índices existem, com cestas e públicos diferentes. Se um contrato cita um índice, vale o índice nomeado no contrato, não um sinônimo aproximado.
Valor nominal e poder de compra
Valor nominal é a cifra escrita: R$ 100 continuam R$ 100. Poder de compra é o que esses R$ 100 adquirem. Se os preços da cesta sobem e os R$ 100 ficam parados, o poder de compra cai. Se uma aplicação rende em reais, mas rende menos do que a alta da cesta que importa para você, o número da conta sobe e a cesta ainda pode encolher.
Essa comparação é conceitual. Ela não diz qual produto “vence a inflação”. Nenhum texto deste site faz essa escolha.
Exemplo ilustrativo
Percentual inventado para a aula. Um item custa R$ 100. Em um exemplo em que os preços sobem 4% no ano, o mesmo item passa a custar R$ 104. Quem guardou R$ 100 sem correção compra menos do que comprava. Quem teve um rendimento nominal de 4% nesse mesmo exemplo apenas empata com esse item, antes de impostos e taxas. Os 4% não são o IPCA atual.
Como usar isso no orçamento
- Revise o orçamento quando aluguel, mercado ou transporte mudarem de patamar, em vez de repetir o número do ano passado.
- Ao comparar uma taxa de juros com a inflação, use o mesmo período (mês com mês, ano com ano) e a fonte oficial dos dois lados.
- Desconfie de anúncio que mostra só o ganho nominal e omite inflação, imposto e prazo.
A matemática do crescimento de um número está em juros compostos. As duas ideias juntas evitam tratar qualquer alta de saldo como aumento real de consumo.
Fontes para conferir
- IBGE Explica — inflação
- Banco Central, para o papel da meta de inflação e da Selic