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Juros compostos explicados

Equipe editorial do Portal Super · Atualizado em 3 de outubro de 2026 · Leitura de 8 minutos

Juros compostos são juros calculados sobre um valor que já inclui juros anteriores. Juros simples incidem só sobre o valor inicial. A diferença parece pequena no começo e fica visível quando o prazo aumenta. Isso vale tanto para uma aplicação quanto para uma dívida. O mecanismo é matemático. O sinal, positivo ou negativo para o seu bolso, depende de que lado da conta você está.

A ideia em uma frase

No regime simples, cada período paga a mesma fatia de juro. No regime composto, a fatia cresce porque a base cresceu. Por isso materiais didáticos dizem que “os juros rendem juros”. A frase é correta como descrição da fórmula. Ela não significa que um investimento real vá seguir a taxa do exemplo.

A fórmula

Para uma taxa constante por período, sem aportes novos:

Montante = capital × (1 + taxa)número de períodos

A taxa e o período precisam falar a mesma língua. Taxa ao mês combina com prazo em meses. Taxa ao ano combina com prazo em anos. Misturar as duas é um erro clássico de planilha.

Neste exemplo, o capital é R$ 1.000 e a taxa é 0,5% ao mês. Em decimal, 0,5% é 0,005. Doze meses nessa taxa equivalem a cerca de 6,17% no ano, porque 1,005 elevado a 12 dá aproximadamente 1,0617. Esse 6,17% também é só a tradução da taxa mensal inventada. Não é um índice oficial.

Tabela do exemplo

Regime, taxa de 0,5% ao mês 12 meses 120 meses
Juros simples R$ 1.060,00 R$ 1.600,00
Juros compostos R$ 1.061,68 R$ 1.819,40

No primeiro ano do exemplo, a diferença é de R$ 1,68. Em dez anos, ainda com a mesma taxa hipotética e sem tirar nem colocar dinheiro, a diferença passa de R$ 200. O ensino está nessa curva, não no valor final. Arredondamos o montante de 120 meses para centavos a partir de 1.000 × 1,005120.

O mesmo mecanismo na dívida

Se a taxa de 0,5% ao mês fosse a de uma dívida, e não a de uma aplicação, o saldo também cresceria sobre o saldo. Por isso o CET e o prazo importam mais do que a parcela isolada. Uma parcela que “cabe” pode esconder um custo total alto. A leitura dessa conta está no texto sobre organização de dívidas.

O que a conta não diz

  • Não diz quanto a Selic está hoje. Isso se consulta no Banco Central.
  • Não desconta Imposto de Renda, IOF, taxa de custódia nem inflação. O poder de compra pode cair mesmo quando o número em reais sobe.
  • Não inclui risco de o emissor não pagar, nem oscilação de preço de mercado.
  • Não é convite para aplicar R$ 1.000 em produto nenhum.

Fontes para conferir